O comportamento é uma parte da história. Não a história inteira.
Uma mudança, uma reação ou uma dificuldade pode indicar que algo merece ser compreendido com mais cuidado. O trabalho não parte de corrigir o que aparece, mas de compreender a experiência de quem vive isso, seu contexto, e o que pode estar relacionado ao que está acontecendo — tanto para quem cuida quanto para a própria criança ou adolescente.
Um comportamento pode ser um ponto de partida
Uma dificuldade pode aparecer de maneiras diferentes — num comportamento, numa emoção mais intensa, numa mudança na relação com os outros ou no dia a dia da escola. O trabalho procura observar em quais situações ela acontece, o que vem antes e depois, e quais elementos podem estar relacionados àquela experiência — antes de concluir o que ela significa.
Uma criança ou um adolescente nunca se resume à dificuldade que trouxe a família até aqui.
Infância e adolescência pedem olhares diferentes
Numa criança, o cuidado costuma considerar de perto o desenvolvimento, a rotina, a escola, as relações mais próximas e formas de expressão que nem sempre passam pela fala. Num adolescente, ganham peso a construção de autonomia, a identidade, o pertencimento e uma capacidade crescente de participar das decisões sobre o próprio processo.
Adolescência não é apenas turbulência a ser controlada — é um momento real de mudança, que pede um cuidado que também muda com ela.
O que pode levar à terapia
Não como diagnóstico — como ponto de partida.
Quando o medo ou a ansiedade ocupam mais espaço
Preocupações, medos ou uma inquietação que parecem maiores do que a situação em si.
Quando as emoções parecem difíceis de regular
Explosões, choro intenso, ou dificuldade de se acalmar depois que algo incomoda.
Quando uma mudança importante mexe com tudo
Uma separação, mudança de casa ou escola, uma perda, ou a chegada de alguém novo na família.
Quando a escola ou o dia a dia mostram sinais diferentes
Mudanças percebidas na relação com colegas, no rendimento ou no jeito de estar no cotidiano.
Quando TDAH ou TEA fazem parte da história
Seja um diagnóstico já existente, seja uma hipótese clínica ainda em investigação — sem que isso explique tudo o que essa criança ou adolescente vive.
Quando a autonomia começa a pedir mais espaço
Conflitos entre depender e se tornar independente, comuns na adolescência, que às vezes precisam de um espaço para serem conversados.
Quem cuida também faz parte do processo
O contexto em que uma criança ou adolescente vive importa — e quem cuida dela, seja em casa ou na escola, muitas vezes tem informações e recursos importantes para esse cuidado. Dependendo da idade, da situação e do momento do processo, responsáveis podem participar de formas diferentes; a escola também pode ajudar a entender em que contextos uma dificuldade aparece, e o que já funciona.
Isso não significa buscar o que a família ou a escola fizeram de errado. Significa reunir, com cuidado, as peças que ajudam a compreender o que está acontecendo.
Um espaço que é dela, dentro de um cuidado que inclui todos
Criança ou adolescente, cada um precisa construir um vínculo próprio com quem os atende — com um espaço que seja também seu, e uma forma de conduzir o processo que muda de acordo com a idade e a situação de cada um. Ao mesmo tempo, quem cuida precisa entender como o acompanhamento funciona, e participa em momentos combinados ao longo do caminho.
Ter um espaço próprio não significa excluir a família. O que é compartilhado com os responsáveis é pensado de acordo com o que for necessário para o cuidado, respeitando os limites éticos, a privacidade e as situações em que a segurança exige outra condução.
Não é preciso ter certeza para dar o primeiro passo
Perceber que algo pede atenção já é suficiente para procurar uma primeira conversa — não é necessário chegar com um diagnóstico, uma explicação fechada ou certeza sobre o que fazer. É esse processo, justamente, que ajuda a entender o que vem a seguir.
Atendo crianças a partir de 6 anos e adolescentes. Para crianças menores de 10 anos, o atendimento é presencial, na Vila Olímpia, em São Paulo. A partir dos 10 anos, o atendimento também pode ser online.