Você não precisa chegar sabendo qual abordagem precisa.

Uso diferentes perspectivas clínicas — não porque cada uma resolve uma parte de você, mas porque juntas ampliam a compreensão sobre aquilo que cada pessoa está vivendo.

Por que não parto de uma fórmula pronta

Duas pessoas podem chegar dizendo exatamente a mesma frase — "estou ansioso", "não consigo colocar limites", "meu relacionamento não está bem", "sei que isso me faz mal, mas continuo fazendo" — e estarem descrevendo experiências muito diferentes entre si. Por isso, a primeira pergunta que me interessa não é em qual teoria essa pessoa se encaixa. É o que precisamos compreender, neste momento, para que o trabalho realmente faça sentido para ela.

Não é sobre conhecer várias técnicas. É sobre permitir que diferentes perspectivas clínicas contribuam para uma compreensão mais ampla, sem fazer com que a pessoa precise caber em uma única explicação. É por isso que organizo meu trabalho a partir de mais de uma perspectiva clínica — cada uma ajuda a iluminar bem uma parte da experiência, e juntas ampliam as perguntas que posso fazer. Integrar não significa ter mais respostas prontas. Significa poder perguntar de mais maneiras antes de concluir alguma coisa.

Um mesmo território, mapas diferentes

Imagine que estamos tentando compreender um território. Um mapa pode mostrar as ruas. Outro pode mostrar o relevo, os rios, o que foi construído ali ao longo do tempo. Um terceiro pode mostrar como diferentes pontos se conectam entre si. Todos observam o mesmo lugar — mas cada um torna algumas informações mais visíveis, e nenhum deles é o território propriamente dito.

Levo esse princípio para o consultório. As teorias que uso me ajudam a fazer perguntas, observar relações e construir hipóteses. Mas nenhuma teoria substitui a pessoa que está diante de mim. Ela é sempre maior do que qualquer modelo que eu use para tentar compreendê-la.

Três perspectivas, sem hierarquia entre elas

A ordem abaixo não indica importância nem sequência de uso.

Terapia Cognitivo-Comportamental

Essa perspectiva ajuda a observar como pensamentos, emoções, comportamentos e situações do presente podem se influenciar e se organizar em ciclos que acabam se repetindo. A partir daí, é possível enxergar esse ciclo com mais clareza e experimentar, aos poucos, outras formas de responder. Não é sobre pensar positivo, nem sobre trocar pensamentos "negativos" por "positivos" — é sobre entender a lógica de uma reação para poder escolher diferente.

Terapia do Esquema

Algumas formas de interpretar situações, de se perceber, de esperar certas respostas das outras pessoas ou de se proteger podem ter se desenvolvido ao longo da história de vida — e seguir influenciando experiências no presente. Essa perspectiva ajuda a olhar para essas formas com mais compreensão, sem pressa de explicar tudo pelo passado e sem transformar nenhuma delas em rótulo ou identidade fixa. Ninguém "é" um padrão. Uma pessoa pode reconhecer um padrão — e, a partir daí, ter mais liberdade em relação a ele.

Terapia Sistêmica

O que vivemos também pode ser lido a partir das relações, do contexto e dos padrões de interação em que estamos inseridos — papéis, família, mudanças de fase da vida, o ambiente em que determinada experiência acontece. Isso não significa atribuir automaticamente uma dificuldade à família, nem que essa perspectiva sirva só para atendimentos de casal ou de família. Mesmo em terapia individual, aquilo que uma pessoa vive também acontece em meio a relações e contextos que podem contribuir para sua compreensão.

Uma situação, perguntas diferentes

Um exemplo simples ajuda a mostrar como essas perspectivas se integram na prática — não como teoria, mas como raciocínio clínico. Imagine alguém que percebe que, com frequência, se cala quando algo a incomoda numa relação importante. Em vez de concluir rapidamente por que isso acontece, este é o tipo de pergunta que pode surgir, quase ao mesmo tempo, ao longo do trabalho:

O que passa pela sua cabeça nesse momento?

O que você sente, no corpo e emocionalmente, quando isso acontece?

O que você imagina que poderia acontecer se dissesse o que pensa?

Essa forma de responder parece familiar em outros momentos ou relações da sua vida?

Quando você se cala, o que costuma acontecer depois, entre vocês? Como a outra pessoa costuma reagir?

Esse ciclo aproxima, afasta, protege — ou produz outro efeito?

O que mudaria se fosse possível experimentar, ali, uma resposta diferente?

Na prática, essas perguntas não precisam aparecer separadas por abordagem. Elas podem coexistir dentro do mesmo raciocínio clínico. Integrar não significa ter três respostas prontas para uma pessoa. Significa poder fazer mais perguntas antes de concluir qual é a resposta. E nenhuma resposta é presumida antes de ouvir, de fato, quem está ali.

Compreender, organizar, transformar

Na Home, apresento esse processo em poucas palavras. Vale explicar com mais profundidade o que cada movimento significa no dia a dia do trabalho.

Compreender

Antes de tentar mudar qualquer coisa, é preciso compreender o suficiente sobre o que está acontecendo. Isso pode envolver observar o presente, pensamentos, emoções, comportamentos, história e relações — na medida em que cada um desses aspectos for relevante para aquela pessoa, naquele momento. Compreender não significa encontrar "a causa" de algo, nem que será preciso revisitar a vida inteira antes de trabalhar o presente. É construir uma leitura suficientemente útil para orientar o que vem a seguir.

Organizar

Há momentos em que uma pessoa já percebe muita coisa sobre si mesma, mas essas percepções parecem peças espalhadas sobre uma mesa. Organizar é começar a notar o que se conecta, o que merece mais atenção agora, quais elementos parecem estar relacionados ao que a pessoa continua vivendo, o que ainda é hipótese e precisa continuar sendo observado — e onde parece haver espaço para agir diferente. Organizar não é diagnosticar. É dar alguma ordem ao que, até então, parecia disperso.

Transformar

Entender alguma coisa sem conseguir levar parte dessa compreensão para a vida cotidiana costuma não ser suficiente. Transformar é experimentar novas possibilidades — o que pode significar responder de um jeito diferente numa situação específica, rever uma interpretação antiga, estabelecer um limite, comunicar uma necessidade, interromper um ciclo, tomar uma decisão diferente ou desenvolver recursos para lidar com algo difícil. Não é um caminho linear, e não existe promessa de resultado — existe direção.

Não são três degraus

Compreender, organizar e transformar não são três degraus percorridos uma única vez, um depois do outro. Em terapia, uma mudança pode revelar algo que ainda não tínhamos compreendido. Uma nova compreensão pode reorganizar uma hipótese anterior. Uma experiência fora da sessão pode nos fazer voltar e olhar de novo para algo que já parecia claro. O processo circula, se aprofunda, se ajusta — com direção, não por improviso.

Pessoas diferentes, momentos diferentes

A mesma pessoa pode precisar de ênfases diferentes em fases diferentes da própria vida — e pessoas diferentes podem precisar de caminhos diferentes mesmo quando chegam com queixas parecidas. Conforme a compreensão se aprofunda, aquilo que merece mais atenção no trabalho também pode mudar: em determinado momento, pode fazer sentido observar mais de perto uma situação atual; em outro, entender como uma expectativa se formou ao longo do tempo; em outro, perceber o ciclo que se repete entre duas pessoas; em outro, experimentar concretamente uma resposta diferente. Essas dimensões costumam coexistir, não se substituem.

Às vezes o trabalho pede uma espécie de luneta — ampliar o campo, perceber contexto, relações, história, o que se repete ao longo do tempo. Em outros momentos, pede um microscópio — aproximar o olhar de uma situação específica, um pensamento, uma emoção, uma reação. Um olhar não substitui o outro. Às vezes, entender melhor depende justamente de saber quando aproximar o olhar e quando ampliar o campo.

Um trabalho construído com você, não sobre você

Não trabalho decifrando alguém de fora para dentro. As hipóteses clínicas que construo ao longo do processo não são verdades entregues prontas — elas são construídas, verificadas, revistas e, às vezes, abandonadas, conforme o trabalho avança. Posso oferecer perguntas, conhecimento clínico e outras formas de olhar para o que você vive. Mas aquilo que vamos construindo também precisa poder ser examinado e fazer sentido para você.

Autonomia, aos poucos

O objetivo do trabalho não é que você passe a depender de mim para compreender o que sente ou decidir o que fazer. Ao longo do processo, espero que você desenvolva, progressivamente, maior capacidade de perceber o que acontece consigo, reconhecer ciclos que se repetem, diferenciar emoção, pensamento e reação quando isso ajudar, compreender melhor suas relações, comunicar necessidades, tomar decisões mais intencionais, experimentar outras respostas — e seguir usando, fora da sessão, aquilo que foi construído dentro dela.

Não é uma meta de "não precisar mais de terapia". É autonomia, crescendo aos poucos.

O que essa integração não é

Integrar diferentes perspectivas não significa misturar técnicas ao acaso, trocar de abordagem a cada sessão ou escolher uma teoria conforme a conveniência do momento. Também não é aplicar tudo ao mesmo tempo, nem transformar a terapia num processo de tentativa e erro. Existe uma direção clínica no meu trabalho — e, dentro dela, espaço real para ajustar o foco conforme o que vamos compreendendo juntos.

Cristina Senise, psicóloga, olhando para a câmera.

Cristina Senise

Psicóloga · CRP 06/90891
Pós-graduação Lato Sensu, Especialização em Terapia Familiar e de Casal – PUC-SP

Antes da primeira conversa

Você não precisa chegar à primeira conversa sabendo explicar perfeitamente o que está acontecendo, nem sabendo qual abordagem precisa. Isso começa a se construir no próprio processo.